quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

É possível zerar o desmatamento na Amazônia brasileira? artigo de Paulo Moutinho

desmatamento embargado no Pará

Sim – se assegurarmos que o crescimento econômico, a justiça social e a agricultura são parte do quadro.
De 2005 a 2014, a taxa de desmatamento da floresta amazônica foi de 19.014 quilômetros quadrados para 5.012 km2: uma redução de cerca de 70%. É impressionante, mas a taxa ainda permanece alta. Além disso, quando os efeitos do desmatamento são combinados às mudanças no clima, a tendência em curto prazo é de degradação severa da Amazônia. É urgente que o desmatamento ainda corrente na região cesse completamente, a fim de interrompermos esse processo de empobrecimento biológico.
O desmatamento zero é vital para a manutenção dos serviços ambientais que a Amazônia gera: fornecimento de água, regulação climática, estoque de carbono, polinização, biodiversidade, controle natural de pestes, beleza cênica, turismo e muito mais. A floresta tem uma importante função em manter a chuva além das fronteiras da região amazônica: o vapor do Oceano Atlântico que chega ali é reciclado na floresta e é responsável pela chuva fora da bacia amazônica. E as florestas ainda atuam como um imenso ar condicionado para a região, cumprindo um importante papel na manutenção das temperaturas na área.
O governo brasileiro recentemente submeteu às negociações climáticas que culminaram na COP 21 sua intenção de reduzir 37% da emissão nacional de gases estufa até 2025, e 43% até 2030. As principais ações propostas são zerar o desmatamento ilegal até 2030, restaurar 12 milhões de hectares de floresta e recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas.
Ainda que essas ações sejam necessárias, o prazo proposto não é adequado. Secas severas nos últimos dez anos já causaram muitas alterações na Amazônia, como mortalidade de árvores, mudanças no padrão de chuvas e erosão do solo. Simplesmente não podemos esperar até 2030 para parar o desmatamento, legal ou ilegal.
O que seria necessário para zerar o desmatamento antes de 2025? O governo brasileiro deve lidar com as ameaças históricas que impulsionam a derrubada na região. O Programa de Aceleração do Crescimento, um plano para expansão da infraestrutura, e a crescente demanda nacional e internacional por carne e grãos continuam a ser ameaças importantes aos avanços conquistados pelo Brasil contra o desmatamento na Amazônia.
Para superar essas ameaçadas, o país deve primeiro impor protocolos ambientais robustos a qualquer investimento em infraestrutura. Segundo, mecanismos que promovam a participação da sociedade civil em decisões a respeito desses projetos devem ser melhorados – inclusive respeitando a história e a preservação da cultura de mais de 450 mil indígenas na Amazônia. Terceiro, os 80 milhões de hectares de terras devolutas na Amazônia devem ser definidas como áreas de conservação.
Contudo, nenhum desses protocolos foi ainda adotado pelo governo brasileiro, e a participação na mitigação de impactos de projetos de infraestrutura ainda é limitado.
Uma estratégia que foi implantada é a aplicação de um instrumento legal conhecido como Cadastro Ambiental Rural (CAR), um sistema de registro de propriedades rurais que mostra a quem elas pertencem e seus limites. Ele permite o monitoramento dessas áreas na Amazônia e é uma ferramenta importante para prevenir o desmatamento ilegal.
Porém, para realmente proteger a floresta e os serviços que ela fornece, o CAR não é suficiente, nem o objetivo apresentado pelo governo brasileiro na COP 21. O desmatamento zero antes de 2025 é possível, e nós sabemos o que é necessário para obtê-lo. O governo brasileiro deve estabelecer metas mais ambiciosas e, ainda mais importante, partir para um novo paradigma, no qual crescimento econômico, justiça social e agricultura não são considerados itens separados da manutenção florestal e dos serviços ambientais.
*Esse artigo foi originalmente publicado na revista eletrônica “Ensia”, em parceria com a revista acadêmica “Elementa”. Ele integra a edição especial “A extinção do desmatamento na Amazônia brasileira: é possível?”, editada pelo autor do artigo.
Por Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM*
Fonte: IPAM
Publicado em fevereiro 5, 2016 por 

Repensando as estratégias de propriedade de terras e de plantios florestais

Em meados da década de 1970, os proprietários de florestas plantadas em países como Chile ou Brasil eram, em sua maioria, players industriais: empresas de celulose, painéis de madeira e serrarias. Isso era natural, uma vez que, por um lado, a terra era barata, e por outro, era difícil convencer os produtores rurais locais de que o plantio de árvores poderia ser um negócio viável.

A forma de pensar desses produtores e da indústria evoluiu – agricultores e investidores institucionais entenderam que o plantio de florestas pode complementar a renda agrícola e trazer interessantes retornos financeiros aos seus investimentos.

Recentemente, a indústria tem observado um aumento crescente de produtores florestais independentes – hoje eles respondem por 35% dos plantios florestais, ou cerca de 2,5 milhões de hectares de florestas plantadas comercialmente no Brasil.

A madeira produzida em plantações comerciais continuará a ganhar participação de mercado sobre a madeira proveniente de florestas nativas. No entanto, a vantagem competitiva das plantações está diminuindo e, na pior das hipóteses, poderá até mesmo desaparecer, a menos que os produtores florestais empreguem grande esforço na melhoria da gestão, da produtividade florestal e na identificação de oportunidades futuras de redução de custos. O aumento dos custos nas economias emergentes, principalmente a participação relativa do custo da mão de obra, deve ser visto como um catalisador para a “reinvenção” das florestas plantadas.

Árvores, plantações e gestores da era digital irão melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas – árvores e outras culturas formam o elemento central de uma economia inovadora de base biológica – a “bio-economy”, conforme já é denominada em inglês.

A Pöyry Management Consulting, com sua comprovada experiência em operações florestais, alia um profundo entendimento de toda a cadeia de valor dos produtos de base florestal para acompanhar detalhadamente o que este mercado tem a oferecer.

Nos últimos anos, nossas equipes globais de especialistas, de variados campos, têm fornecido soluções inovadoras para empresas de base florestal. Alguns dos resultados relacionam-se à melhoria de práticas de manejo, aproveitando oportunidades mais imediatas via promoção da excelência operacional e de melhores formas de gestão. Nossos profissionais têm proporcionado soluções via inovações tecnológicas, garantindo que essas inovações disruptivas efetivamente agreguem valor a proprietários e operadores florestais. Nós inventamos hoje a as plantações florestais do futuro!

Por Jefferson Mendes é diretor da Consultoria em Negócios Florestais da Pöyry

A força do setor florestal para energia com biomassa

Indústrias de móveis, serrarias, beneficiamento de madeira geram milhares de toneladas de resíduos diariamente em todo o país.

A força do setor florestal para energia com biomassaA biomassa de origem florestal, é uma forma de energia limpa, renovável, equilibrada com o meio ambiente rural e urbano, geradora de empregos e criadora de tecnologia própria.

Além disso, permite a sua utilização como fonte alternativa de energia, seja pela queima de cavacos, ou com produtos de valor agregado com os briquetes e pellets.

O uso da biomassa florestal para a geração de energia apresenta algumas vantagens como baixo custo de aquisição, não emite dióxido de enxofre, as cinzas são menos agressivas ao meio ambiente que as provenientes dos combustíveis fósseis, menor corrosão dos equipamentos, menor risco ambiental e é um recurso renovável.

Empresas e indústrias tem usado a biomassa florestal como principal fonte para geração de energia. Um bom exemplo são indústrias de papel e celulose que utilizam os cavacos de madeira para gerar energia, sendo muitas destas empresas, alto sustentável quanto ao consumo de energia. BUNGE, CARGIL, HEINEKEN, MASISA, entre muitas outras, também tem utilizado esta fonte renovável.
O potencial de crescimento do setor no Brasil é muito grande. 

As florestas energéticas também viraram opção de investimento para muitos empresários.

As florestas energéticas reúnem vantagens comparativas naturais e significativas para o Brasil que tem condições de produzir, dependendo de condições tecnológicas e regiões do país, entre 250000 e 300000 quilocalorias de energia química potencial de florestas por hectare/dia, que é uma produção extraordinária. Isto se deve, basicamente, as condições edafo-climáticas e a tecnologia oriunda da prática da engenharia florestal brasileira.

A tecnologia e a inovação na implantação de florestas comerciais têm colocado o Brasil em destaque no mundo pela alta produtividade e custos competitivos que são vantagens comparativas decisivas para o negócio florestal. Todavia, há aspectos que precisam ser sanados ou melhorados como a concentração de plantios em poucas espécies o que gera necessidade da busca para introdução de outras espécies competitivas do ponto de vista florestal; a formulação de uma política florestal para melhorar a estabilidade e o desenvolvimento do setor visando atender o mercado interno e externo, as peculiaridades regionais de um país muito grande e a conciliação dos problemas ambientais e sociais brasileiros.

Fonte: Biomassa BR

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Árvore madeireira amazônica pode fixar nitrogênio no solo

Pesquisa recomenda bactérias eficientes para a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em pau-rainha (Centrolobium paraense Tul.), árvore nativa do Estado de Roraima indicada para evitar erosão, com bom potencial para exploração madeireira e com capacidade de fixar nitrogênio, economizando adubação e melhorando a qualidade do solo. O trabalho inclui o desenvolvimento de protocolo para produção de mudas, etapa importante já que a planta poderá ser incluída em programas de recuperação de áreas desmatadas da região Norte, atendendo o novo Código Florestal Brasileiro. 
 
Arquivo Embrapa -
Foto: Arquivo Embrapa
A FBN é um processo realizado por bactérias capazes de capturar o nitrogênio que está presente no ar na forma de um gás (N2) e transformá-lo em amônia (NH3), permitindo que a planta assimile o nitrogênio, elemento essencial ao desenvolvimento vegetal. A aquisição desse importante macronutriente pelas plantas pode ser por meio de adubação, pelo uso de matéria orgânica do solo e pela fixação biológica
 
O pau-rainha é uma leguminosa arbórea que se beneficia do processo de FBN através da simbiose com bactérias conhecidas como rizóbios, relação que está sendo estudada por pesquisadores da Embrapa desde 2010.
 
Os estudos revelaram uma grande diversidade de bactérias que realizam esse processo e foram isolados 178 rizóbios oriundos de diversas regiões do Estado de Roraima. Esses microrganismos foram identificados e foi encontrada, entre eles, uma nova espécie do gênero Bradyrhizobium nomeada Bradyrhizobium neotropicale, que tornou-se a primeira bactéria desse gênero nativo do Brasil.
 
Conhecer a diversidade de bactérias associadas ao pau-rainha facilitará a produção de mudas e a utilização dessa leguminosa em manejos sustentáveis e programas de recuperação de áreas nativas desmatadas, sem a introdução de espécies exóticas na região, explica a pesquisadora da Embrapa Roraima Krisle da Silva. 
 
A cientista é uma das coordenadoras da pesquisa e já está trabalhando na propagação de mudas de pau-rainha em viveiro, inoculadas com bactérias eficientes no processo de FBN. Essa etapa é uma exigência do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a indicação de inoculantes comerciais para a planta.
 
A pesquisa também buscou avaliar a eficiência dessas bactérias, visando a encontrar os rizóbios que mais contribuem com o fornecimento de nitrogênio para o pau-rainha. Segundo Krisle, a maioria das bactérias nodulantes descritas foi isolada a partir de leguminosas de grande interesse agrícola, como a soja e o feijão-caupi, mas ainda há poucos estudos sobre leguminosas arbóreas e sua interação com bactérias fixadoras de nitrogênio. 
 
Além da possibilidade de exploração sustentável e de utilização para recuperação ambiental, a pesquisa se concentrou no pau-rainha por ser uma espécie ameaçada pela exploração madeireira. "É uma pesquisa que ajudará na preservação dessa leguminosa arbórea e dos microrganismos presentes nela, além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, principalmente em relação aos microrganismos do solo", ressalta Krisle. 
 
Bactérias selecionadas 
 
A pesquisa tem o objetivo de selecionar rizóbios eficientes na atividade de fixação biológica de nitrogênio para a produção de mudas. As etapas da pesquisa envolveram coletas em ilhas de mata do Estado de Roraima de raízes de pau-rainha para obtenção dos nódulos e posterior isolamento das bactérias em meio de cultura. 
 
De um total de 355 nódulos selecionados, foram isolados 178 rizóbios. Desses, com base em informações obtidas após a caracterização fenotípica, genética e capacidade de nodulação (a capacidade de realmente fixar nitrogênio), 18 foram selecionados para os testes em mudas de pau-rainha. No primeiro teste, em casa de vegetação, quatro bactérias se destacaram na produção de mudas de pau-rainha, entre elas a espécieBradyrhizobium neotropicale.
 
Os testes com as quatros bactérias foram realizadas novamente, mas na produção de mudas em viveiro. A etapa de testes em viveiro é importante  para a recomendação desses rizóbios como  inoculantes, o  que promoverá  maior eficiência na produção de mudas. Além dos testes em viveiro, as mudas inoculadas com essas estirpes serão avaliadas em condições de campo, o que ocorrerá em maio de 2016. 
 
Segundo a técnica de laboratório da Embrapa Roraima Eliane Cunha, essas quatro bactérias já foram incluídas na Coleção de Microrganismos Multifuncionais da Embrapa em Roraima. Eliane lembra que este tipo de pesquisa é bastante complexa e leva muito tempo. "Já estamos na fase de testes em viveiros, uma alternativa para propagar o pau-rainha e integrá-lo em programas de reflorestamento. Também já foram publicados dois artigos científicos que descreveram as bactérias eficientes na fixação biológica de nitrogênio e também a descrição da nova espécie", explica.
 
O pau-rainha
 
O plantio do pau-rainha pode gerar uma série de produtos e serviços viáveis para exploração econômica. A leguminosa pode alcançar até 30 metros de altura e é adaptada a pouca chuva e solos pobres. É encontrada no Panamá, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e norte do Brasil, onde está presente em ilhas de mata e em florestas de transição no Estado de Roraima.
 
A planta exerce diversas funções ecológicas que contribuem para a sustentabilidade do ambiente. Isso porque o pau-rainha, ao realizar a simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, transfere parte desse nitrogênio para o solo por meio da deposição de suas folhas, melhorando a fertilidade nessas áreas, o que beneficia outras plantas.
 
Ela também tem função protetora contra os efeitos erosivos, sendo frequentemente estudada em programas de reflorestamento ou recuperação de áreas degradadas em virtude da agilidade em promover a sucessão vegetal.
 
Além da importância ecológica, o pau-rainha também tem um alto potencial madeireiro e é geralmente usado na construção de habitações e também como lenha. Além disso, é empregado na fabricação de móveis, vigas, caibros, escadas, pisos, e para fins medicinais e extração de corante.
 
Entenda a FBN
 
O nitrogênio é um dos elementos mais importantes para o crescimento vegetal. É fornecido às plantas por meio de grupos bacterianos em um processo conhecido como fixação biológica de nitrogênio (FBN). 
 
Dentre essas bactérias, as mais utilizadas são os rizóbios, que se associam de forma específica a plantas leguminosas. Esses microrganismos colonizam raízes com a formação de estruturas denominadas de nódulos, que conseguem captar o nitrogênio do ar e disponibilizá-lo às plantas. Esta interação é particularmente importante nos estágios iniciais de desenvolvimento vegetal. 
 
Entre as vantagens trazidas pelo uso da FBN está a redução de investimentos em adubação nitrogenada, o que representa uma economia anual de U$ 6,6 bilhões só no Brasil. Além disso, é uma tecnologia agrícola sustentável que ajuda a diminuir a contaminação de recursos hídricos e a emissão de gases do efeito estufa.

Fonte: Embrapa

domingo, 31 de janeiro de 2016

Ibá confirma aumento nas exportações dos produtos florestais em 2015

Desvalorização cambial favoreceu o comércio exterior brasileiro para todos os continentes

A celulose foi o maior destaque nas exportações
A celulose foi o maior destaque nas exportações
Em 2015, o setor de árvores plantadas, favorecido pela desvalorização cambial, registrou alta nas exportações de celulose, painéis de madeira e papel. O volume de exportações de celulose somou 11,5 milhões de toneladas no acumulado de 2015, crescimento de 8,6% em relação aos 10,6 milhões de toneladas exportadas em 2014. De janeiro a dezembro de 2015, as exportações de painéis de madeira alcançaram 641 mil m³, alta de 52,3% em relação ao mesmo período de 2014. As exportações de papel atingiram 2,1 milhões de toneladas em 2015, volume 11,5% maior em relação a 2014.
Confira a seguir os demais indicadores de desempenho do setor de árvores plantadas, na 20ª edição do Cenários Ibá, boletim mensal da Indústria Brasileira de Árvores.
Receita de exportações – No acumulado de 2015, as receitas de exportação de celulose, painéis de madeira e papel totalizaram US$ 7,8 bilhões, o que representa crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2014, quando o total foi de US$ 7,4 bilhões. O saldo da balança comercial do setor de janeiro a dezembro de 2015 é de US$ 6,5 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 17,3% em relação ao saldo do mesmo período de 2014. A Europa se manteve como principal destino da celulose brasileira e foi responsável por aproximadamente 38,5% dessa receita, seguida pela China e América do Norte, respectivamente, com cerca de 33,2% e 17,6%. Os embarques para a China cresceram 8,8% no ano.
Produção – De janeiro a dezembro de 2015, a produção de celulose cresceu 4,5% em relação ao mesmo período de 2014, atingindo 17,2 milhões de toneladas. A produção de papel se manteve praticamente estável, somando, 10,3 milhões de toneladas nos doze meses de 2015.
Vendas Domésticas – De janeiro a dezembro de 2015, as vendas domésticas de papel somaram 5,5 milhões de toneladas, volume 4,6% inferior em relação ao mesmo período de 2014. As vendas de painéis de madeira atingiram 6,4 milhões de m³, volume 11,3% menor na comparação com o mesmo período de 2014.
Perspectivas – “2016 será um ano austero, e o mercado continuará enfrentando os mesmos desafios de 2015. As previsões devem ser cautelosas, pois ainda não há um quadro claro sobre as medidas de estímulo à economia que serão anunciadas pelo Governo”, afirma Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá.
Fonte: Ibá

Eldorado deve ir ao mercado buscar recursos para financiar expansão

A empresa que melhorar o perfil de sua dívida e garantir financiamento para o projeto de duplicação

Unidade da Eldorado Brasil em Três Lagoas (MS)
Unidade da Eldorado Brasil em Três Lagoas (MS)
A Eldorado Brasil, fabricante de celulose do grupo J&F, está se preparando para ir ao mercado de dívida ou de ações nos próximos meses se as condições forem favoráveis, com o objetivo de melhorar seu perfil de dívida, ao mesmo tempo em que mira um aumento de capital e orquestra financiamento bilionário para seu projeto de expansão.
A companhia divulgou nesta semana o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,87 bilhão em 2015 depois de três anos de início de operação. "Na nossa visão, liquidez (no mercado) não é o problema hoje e as taxas de juros no mundo estão baixas. O dinheiro não está sendo colocado para trabalhar por conta de uma percepção de risco. Mas a empresa é exportadora, tem baixo custo de produção, projeto de expansão sendo executado e vai ter rating muito favorável no momento certo", disse José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado Brasil.
Para ele, a Eldorado também é favorecida pelo câmbio e pela política de hedge conservadora. Além disso, uma colocação no mercado de capitais seria endereçada, sobretudo, ao investidor do exterior, onde o mercado vai melhor que o brasileiro. A lógica de uma operação seria reduzir custo e alongar a dívida, não financiar a ampliação da fábrica em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Atualmente, a dívida líquida da Eldorado está em cerca de R$ 7,9 bilhões. Uma decisão de ir ao mercado ainda não foi tomada, mas, segundo o executivo, a prioridade agora é deixar a companhia pronta do ponto de vista regulatório e de qualidade de suas contas para aproveitar momento mais favorável dos mercados, algo que pode ocorrer nos próximos meses. "Estamos trabalhando na preparação de um 'info memo' com dados. Nunca sabemos quando o mercado vai estar pronto", disse Grubisich.
Já para financiar o projeto de expansão, de cerca de R$ 8 bilhões, a empresa discute uma operação de aumento de capital de R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões, que poderia ocorrer por uma capitalização pelos sócios atuais ou uma colocação privada.
China: sobre os preços de celulose em dólares nesse país, Grubisich disse que em dezembro foi registrada ligeira queda, depois de estabilidade em outubro e novembro e de pequeno aumento em setembro. A Ásia é o maior mercado da Eldorado, com 43% do volume de venda de exportação. Os compradores chineses têm buscado menores preços por conta da previsão de entrada de novas capacidades de produção no mercado neste ano, como a da Klabin e da Asia Pulp & Paper (APP) na Indonésia, além do período de menor atividade em fevereiro, devido ao Ano Novo Chinês, disse o executivo.
Mas o entendimento do setor é de que a demanda não caiu. "Vamos ter que esperar a volta do Ano Novo chinês para ver como está o equilíbrio de oferta e demanda. Acreditamos que a demanda continua forte, o mundo vai continuar precisando de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas de capacidade nova a cada um ano, um ano e meio", disse.
Fonte: Portal R7 Notícias

Receita líquida da Fibria supera barreira dos R$ 10 bilhões em 2015

Valor é 42% maior que o registrado em 2014, sendo que R$ 3 bilhões são do último trimestre do ano passado

A Fibria registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões em 2015 – um valor 42% acima do registrado em 2014 e novo recorde para o período de um ano. No quarto trimestre de 2015, a receita líquida foi de R$ 3 bilhões, 7% superior ao trimestre anterior.
Marcelo Castelli: presidente da Fibria
Marcelo Castelli: presidente da Fibria
Também recorde para um período de 12 meses, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado atingiu R$ 5,3 bilhões, representando um crescimento de 91% do montante registrado em 2014. No quarto trimestre, o Ebitda ajustado foi de R$ 1,6 bilhão, um aumento de 5% em relação ao trimestre anterior. A margem Ebitda em 2015 ficou em 53%, sendo também um novo marco no desempenho econômico da companhia.
A robusta evolução de 351% na geração de fluxo de caixa livre em 2015 também foi outro destaque nos resultados da companhia ao registrar o recorde de R$ 2,9 bilhões, sem considerar os pagamentos de dividendos, o investimento (Capital Expenditure – Capex, na sigla em inglês) na expansão da Unidade de Três Lagoas (MS) – o projeto Horizonte 2 – e a compra de terras realizada no final do ano. Desse total, R$ 866 milhões foram gerados no último trimestre do ano.
“O ano de 2015 marca uma nova fase da nossa história, com decisões estratégicas importantes rumo a um novo patamar de competitividade e aumento de capacidade operacional. Com o projeto Horizonte 2, que segue dentro do cronograma, iremos ampliar nossa posição de liderança global no setor de celulose”, diz o presidente da Fibria, Marcelo Castelli.
Em 2015, a Fibria obteve lucro líquido de R$ 357 milhões principalmente em função do seu forte desempenho operacional, ainda que parcialmente compensado pelo impacto contábil da variação cambial sobre seu resultado financeiro, não presente em períodos de estabilidade da moeda. A administração da companhia propôs a distribuição de 87% do lucro líquido de 2015 em dividendos aos acionistas, que totaliza R$ 300 milhões e será submetida à próxima Assembleia Geral, prevista para abril.
A proposta de distribuição de R$ 300 milhões em dividendos, que contempla R$ 218,7 milhões em dividendos adicionais ao dividendo mínimo obrigatório de R$ 81,3 milhões, baseia-se na política de dividendos lançada em 2015, que prevê ainda a possibilidade de uma remuneração adicional ao acionista ao longo do ano, caso sua geração de caixa supere os cenários previstos, desde que respeitadas suas Políticas de Endividamento e Liquidez e o seu compromisso com o Grau de Investimento.
A companhia encerrou 2015 com dívida líquida em dólar em US$ 2,8 bilhões. A alavancagem, medida pela relação entre Dívida Líquida e Ebitda, encerrou o ano em 1,78 vezes, em dólar, abaixo dos limites estabelecidos na Política Financeira da empresa.
Destaques do Ano
Em maio de 2015, a Fibria anunciou o Projeto Horizonte 2, que ampliará a capacidade de produção de sua Unidade de Três Lagoas, localizada no estado do Mato Grosso do Sul. O investimento total é de R$ 8,7 bilhões, equivalente a cerca de US$ 2,2 bilhões, já estando com a estrutura financeira equacionada. A nova linha de produção de celulose da Fibria em Três Lagoas (MS), cuja pedra fundamental foi lançada em 30 de outubro passado, irá aumentar a capacidade de produção da Companhia para mais de 7 milhões de toneladas e ampliar sua competitividade no mercado global.
Também em maio, a Fibria firmou um contrato comercial com a Klabin para comercialização da totalidade da produção de celulose de fibra curta da unidade em construção em Ortigueira (PR) – projeto Puma – a ser destinada para países fora da América do Sul.
“Com o consistente fluxo de caixa livre registrado no ano, conseguimos dar início ao projeto de Horizonte 2, pagar R$ 2 bilhões em dividendos intermediários em dezembro sem comprometer a qualidade do nosso crédito, confirmado recentemente como Grau de Investimento e com perspectiva estável pelas 3 agências de rating em meio a um cenário adverso na economia brasileira”, afirma Guilherme Cavalcanti, diretor de Finanças e Relações com Investidores da Fibria.
Pelo sétimo ano consecutivo, a Fibria foi selecionada para integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa e para compor, mais uma vez, o Índice de Sustentabilidade para países emergentes da Bolsa de Nova York (DJSI Emerging Markets). Em 2015, a Fibria foi escolhida como empresa criadora de tendências para o desenvolvimento sustentável (Sustainable Standard-Setter Award) pela ONG Rainforest Alliance.
Sobre a Fibria
Líder mundial na produção de celulose de eucalipto, a Fibria é uma empresa que procura atender, de forma sustentável, à crescente demanda global por produtos oriundos da floresta. Com capacidade produtiva de 5,3 milhões de toneladas anuais de celulose, a companhia conta com unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS), além de Eunápolis (BA), onde mantém a Veracel em joint-operation com a Stora Enso. A companhia possui 969 mil hectares de florestas, sendo 568 mil hectares de florestas plantadas, 338 mil hectares de áreas de preservação e de conservação ambiental e 63 mil hectares destinados a outros usos. A celulose produzida pela Fibria é exportada para mais de 40 países. Em maio de 2015, a Fibria anunciou a expansão da unidade de Três Lagoas, que terá uma nova linha com capacidade produtiva de 1,75 milhão de toneladas de celulose por ano, e entra em operação no quarto trimestre de 2017. Com ações listadas no Novo Mercado da BM&FBovespa e ADR nível III na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), a Fibria tem 29,42% de sua composição acionária detida pela Votorantim Industrial S.A., 29,08% pela BNDESPAR e 41,50% de free-float no mercado financeiro. Para mais informações, acesse www.fibria.com.br.
Fonte: Painel Florestal